Capítulo 1
O porquinho Heitor era Engenheiro Civil. Ele tinha se formado pela Universidade Federal de Pernambuco, e tinha um mestrado pela Universidade de Pernambuco. Heitor vinha de uma familía tradicionalmente de engenheiros, tinha toda uma base familiar o apoiando na sua vida profissional. Ele gostava muito de ir em forrós, para ver se conseguia arrumar umas porquinhas para se divertir um pouco. Quase sempre ele conseguia, pois, além de ter um bom papo ele andava num Honda Civic do ano, fato que sempre agradava as porquinhas.
Prático, o porquinho Mestre-de-Obras, teve uma vida mais difícil que Heitor. Ele morara numa favela, e aprendera a sua profissão acompanhando o pai nas obras que ele arrumava. Nos fins-de-semana, Prático gostava de ir beber nos bares que existiam na favela onde ele morava. Nesses bares, ele também costumava dançar um brega arrochado com as porquinhas do lugar. Prático também sofrera muito com o preconceito, pois era um porquinho afro-descendente.
Já Cícero, era o porquinho que tinha uma melhor vida. De família abastada, pôde escolher livremente a profissão que quis seguir. Ele escolhera também um outro caminho, pois Cícero renegara sua heterossexualidade e, para surpresa total da tradicional família, se assumira homossexual aos 19 anos, pouco depois de entrar na faculdade de arquitetura. Seu pai o insultara publicamente por sua escolha pessoal, e isso o magoara muito. E ele também sempre ouviu muitas piadinhas, a respeito de que os arquitetos sempre pendem para o outro lado. Mas, logo que arrumou o primeiro estágio, Cícero saiu de casa e foi morar sozinho, para ter mais liberdade com seus amiguinhos.
Esses três porquinhos, de vidas tão diferentes, terminaram se cruzando, por conta de um Lobo Mau que começou a aterrorizar a população de porquinhos do Recife. Esse Lobo Mau viajara muito para chegar no Recife, por que ouvira histórias a respeito da carne dos porquinhos dessa cidade. Como sendo uma cidade litorânea, existia a lenda de que a carne dos porquinhos recifenses seria mais suculenta que outras.
Continua...